Saiba como a PF chegou ao navio grego N/M Bouboulina, suspeito de derramar o óleo que atingiu as praias do Nordeste
(matéria do Estadão)
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Entenda como o navio grego Bouboulina entrou na rota da PF
Relatórios da Petrobrás, perícia técnica, estudos de uma empresa de engenharia e documentos da Marinha levaram à identificação do petroleiro que teria derramado óleo cru a cerca de 700 quilômetros da costa da Paraíba, no final de julho e início de agosto

Pepita Ortega e Luiz Vassallo
02 de novembro de 2019 | 05h40

Reprodução de relatório da Marinha à PF

Bouboulina, o navio grego

Com a ajuda de relatórios da Petrobrás, perícia técnica, estudos de uma empresa de engenharia, e também documentos da Marinha, a Polícia Federal chegou ao navio grego Bouboulina, suspeito de ser a origem do vazamento de óleo cru supostamente venezuelano que poluiu os mares e praias brasileiras.

Os documentos embasam a Operação Mácula, que pôs a Polícia Federal nas ruas para para apurar a origem e autoria do derramamento atingiu mais de 250 praias nordestinas brasileiras.

A ação cumpre dois mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro – na Lachmann Agência Martítima e da empresa Witt O Brien’s. As companhias teriam relação com o navio.

Segundo o Ministério Público Federal do Rio Grande do Norte, as investigações permitem atribuir ‘existência cristalina de fortes indícios’ de que o óleo veio do Bouboulina.

Coleta de óleo

Reprodução de relatório da PF

Entre as diligências, estão coletas de óleo nas praias por peritos da PF, que chegou a contar com a ajuda de equipes te outras corporações.

Na Paraíba, um servidor da Prefeitura de Conde foi o responsável por relatar ao plantão sobre manchas escuras nas praias do Amor e de Coqueirinho, onde os banhistas relataram ter pisado na massa gelatinosa, que estava encrustada na areia e em cavidades de pedras.

Reprodução de relatório da PF

Já na praia de Muriú, no Rio Grande do Norte, os bombeiros ficaram responsáveis por realizar a coleta do óleo. Equipes do Ibama também ajudaram nas diligências.

Os peritos anotaram a localização em latitude e longitude de cada local de coleta, e encaminharam o material para análise.

Óleo Venezuelano

Reprodução de estudo do Cenpes sobre a origem do óleo vazado no litoral brasileiro

A Petrobrás foi acionada para fazer análise do óleo coletado nas praias do Nordeste. Um delatório do dia 8 concluiu que, de 23 amostras de óleo coletadas no Rio Grande do Norte, Ceará e Sergipe, ao longo de setembro, três laudos concluíram que se tratava de petróleo cru, que não é produzido no Brasil, nem comercializado ou transportado pela Petrobrás.

O material foi analisado pelo Centro de Pesquisas Leopoldo Américo Miguez de Mello, o Cenpes, responsável por pesquisa e desenvolvimento da estatal.

De acordo com as conclusões do Cenpes sobre uma das coletas, feita na Praia do Pipa, no Rio Grande do Norte, ‘as três amostras em questão apresentaram grande semelhança composicional entre si, e doravante serão tratadas como uma única amostra’.

Reprodução de estudo do Cenpes sobre a origem do óleo vazado no litoral brasileiro

“Comparações realizadas entre a amostra em questão e amostras de referência constantes nos arquivos da Petrobras permitiram observar correlações significativas com amostras de três campos de petróleo venezuelanos – Campos de Jobo, Socororo e Orocual – sugerindo que a amostra se trata de um blend de petróleo cru venezuelano, ou de um derivado de petróleo (Bunker) produzido a partir de petróleos venezuelanos (Fig.1) (sumários geoquímicos)”, conclui o relatório.

Os mesmos resultados aparecem em relatórios sobre amostras coletadas em outros Estados, como Ceará, na praia de Prainha, na Brarra dos Coqueiros, em Sergipe, na Praia da Pipa, no Rio Grande do Norte e no litoral de Alagoas. Nas amostras de regiões diferentes e distantes, os pesquisadores da Petrobrás identificaram ‘fortes correlações’.

O local do vazamento
A Polícia Federal recebeu, então, no dia 29 de outubro, um relatório de ‘Execução (Detecção de manchas de óleo) da empresa HEX Tecnologias Geoespaciais onde é indicada a mancha original de óleo deixada no mar’.

Reprodução de trecho do relatório da empresa HEX emitido à PF que localizou o navio suspeito

O engenheiro gerente da HEX, Alexandre Corrêa da Silva, chegou a prestar depoimento, no dia 29, à PF, para confirmar a metodologia que usou para chegar ao estudo, pivô da localização do navio e da mancha de óleo.

O relatório leva em consideração imagens de satélite que encontraram ‘manchas de grandes proporções’ e seus deslocamentos por meio de correntes marítimas, que levaram à estimativa sobre a rota e os possíveis locais de onde o óleo pode ter vazado.

“Como resultado da análise das imagens processadas foram encontradas 4 feições de óleo de grandes proporções a aproximadamente 700km da costa na latitude dos estados do Rio Grande do Norte e Paraíba. Tais feições se movimentaram em dias consecutivos desde o dia 29/07 até 01/08”, diz o relatório.

Acompanhado de uma imagem exata de onde teria ocorrido o vazamento, foi encontrada a origem, e demarcada no mapa. “É importante destacar que as correntes e vento oceânicos confirmam a movimentação dessas manchas para as áreas atingidas na costa do Brasil”.

O navio grego
No mesmo relatório, a empresa afirma que usou o software OCEANFINDER para a detecção das embarcações que passaram pela área
passaram pela área sugerida pela entidade ITOPF, que atua na área de rastreamento de vazamentos de navios, no dia 1 de agosto.

Reprodução de trecho do relatório da empresa HEX emitido à PF que localizou o navio suspeito

“Em um segundo momento o OCEANFINDER foi utilizado para detectar as embarcações que passaram pelo polígono criado à nordeste das áreas do ITOPF entre os dias 28/07/2019 e 30/07/2019. Foi encontrada somente uma embarcação que passou pelo polígono no período especificado”, afirma o relatório da empresa, em referência ao Bouboulina.

Ainda no dia 29, um relatório da Marinha confirmou as informações.

Assinado pelo vice-almirante Marcos Borges Serta, diretor de Hidrografia e navegação, o documento revelou que o ‘NM BOUBOULINA (IMO 9674189) é um navio tanque de óleo cru, que desatracou do porto de “Jose Terminal Sea Island” – Venezuela, em 18/07/2019. antes da passagem pela área supracitada’. “A análise de sua derrota não apresentou comportamento anômalo, sendo verificado que após a passagem pela área, dirigiu-se para a África do Sul”.

Segundo o relatório da Marinha, da ‘análise de seus portos visitados recentemente, verificou-se porto pertencente a lista de países de visita de alto risco, ou seja, Venezuela’. “Em seu histórico, constam portos do Brasil onde o NM BOUBOULINA atracou”.

“Recentemente, em 29/04/2019. o NM BOUBOULINA foi detido conforme consta em seu prontuário (apêndice III) e o documento oficial emitido pela Guarda Costeira dos EUA. apêndice X, por incorreções de procedimentos operacionais no sistema de separação de água e óleo descarga no mar”, escreveu a Marinha.

“Dessa forma, não há indicação de outro navio, além do NM BOUBOULINA (IMO: 9298753), que poderia ter vazado ou despejado óleo, proveniente da Venezuela, que desse origem à mancha de 29/07/2019 (11:55 UTC) indicada no “shape file””, concluiu.

As empresas
De acordo com o relatório da Marinha, ‘com relação à representação da empresa ou navio no Brasil, foi obtido, por meio de website internacional, constante do apêndice XII, uma relação de navios mercantes com algumas informações, incluindo o “Qualified Individual-. Nessa relação, consta o NM BOUBOULINA, onde a empresa “Witt O Brien’s” aparece como “Indivíduo Qualificado”‘.

https://www.google.com/…/geral,nao-ha-prova-de-que-navio-bo…


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