A Refeno 2026 larga neste sábado, dia 19 de setembro, do Marco Zero do Recife rumo a Fernando de Noronha, marcando a 37ª edição da maior regata oceânica da América Latina. Neste ano, o evento organizado pelo Cabanga Iate Clube de Pernambuco bate seu próprio recorde de participação: são 94 embarcações inscritas, representando 13 estados brasileiros e quatro países estrangeiros — Argentina, Portugal e Estados Unidos entre eles. As inscrições se encerraram nesta quinta-feira, dia 17, e a expectativa em Recife é de que este seja o maior pelotão já reunido na travessia.

Frota De Veleiros Na Largada Da Refeno 2026, Regata Oceânica Entre Recife E Fernando De Noronha
Largada da Refeno 2026: recorde de 94 embarcações parte de Recife rumo a Fernando de Noronha

Acompanhei os números da edição 2026 e o que chama atenção não é só o tamanho da frota, mas a distribuição geográfica dela. São Paulo lidera com 18 veleiros inscritos, seguido por Rio de Janeiro (14) e um empate técnico entre Bahia e Pernambuco (12 cada). A distância a ser percorrida gira em torno de 300 milhas náuticas — cerca de 560 quilômetros — em mar aberto, sem escalas, até o arquipélago que dá nome à prova. A chegada e a festa de comemoração estão marcadas para 21 de setembro, já em Fernando de Noronha.

Vinte anos de domínio de um só barco

Antes de falar do tamanho da frota, vale entender o que está em jogo na água. A Refeno distribui a Fita Azul ao barco com o melhor tempo corrigido da handicap, e há quase duas décadas essa disputa tem um nome só: Adrenalina Pura. O veleiro, do Cabanga Iate Clube, venceu dez edições da regata — sete entre 2000 e 2008 sob bandeira baiana, e as últimas três consecutivas, de 2023 a 2025, já representando Pernambuco. Nenhum outro barco chega perto desse retrospecto na história da prova.

O recorde de tempo do Adrenalina Pura também resiste: 14 horas, 34 minutos e 54 segundos, cravados em 2007 e nunca superados. Na edição de 2025, o mesmo barco cruzou a linha de chegada no Mirante do Boldró em 17h47min46s, tempo que ainda assim entrou para o quarto melhor da história da Refeno — três dos quatro tempos mais rápidos já registrados pertencem a ele. O barco é comandado por Avelar Loureiro, Cecília Peixoto e Humberto Carrilho, todos do Cabanga, e a cada edição a pergunta que corre entre os competidores é a mesma: quem vai destronar o Adrenalina Pura?

Essa hegemonia prolongada diz algo sobre o nível técnico da vela oceânica brasileira: não é fácil sustentar uma vantagem competitiva por quase vinte anos num esporte onde vento, corrente e decisões táticas em alto-mar pesam tanto quanto o preparo da tripulação. Uma travessia de 300 milhas náuticas sem escalas expõe qualquer erro de planejamento — de rota, de meteorologia ou de manutenção do casco — e é justamente nesse tipo de prova de resistência que a vantagem de uma equipe rodada se acumula ano após ano. Para quem pensa em se aventurar em travessias oceânicas mais curtas por conta própria, escrevi anteriormente sobre cuidados de segurança para veleiros em alto-mar, que valem tanto para quem compete quanto para quem apenas cruza uma baía maior.

Celebridades a bordo e a vitrine na TV

Um dos fatores que devem ampliar a visibilidade da edição 2026 é a presença de nomes conhecidos do esporte brasileiro fora da vela. A bordo do veleiro “Algo Mais” estarão a skatista Pâmela Rosa, a ex-atleta olímpica Maurren Maggi — medalhista de ouro no salto em distância — e o ex-jogador e comentarista Richarlyson, conforme confirmado pela cobertura da Náutica.com.br. A movimentação é resultado de uma parceria entre a organização da Refeno e o programa Esporte Espetacular, da TV Globo, que deve acompanhar a preparação e a largada da regata.

Não é a primeira vez que a Refeno busca esse tipo de exposição, mas a escala da parceria deste ano parece maior do que em edições recentes. Do ponto de vista de quem organiza o evento, faz sentido: uma regata de 300 milhas náuticas é, por natureza, um espetáculo difícil de acompanhar ao vivo — a maior parte da travessia acontece de noite, em mar aberto, fora do alcance de qualquer câmera fixa. Trazer rostos conhecidos para bordo é uma forma de garantir cobertura de mídia mesmo quando a ação náutica em si está invisível para o público que assiste de terra.

A Fita Dourada muda o jogo?

A novidade regulamentar da edição 2026 é a criação da Fita Dourada, prêmio que passa a reconhecer o primeiro monocasco a cruzar fisicamente a linha de chegada, independentemente do tempo corrigido pelo handicap. É uma distinção sutil, mas importante para quem acompanha vela oceânica: a Fita Azul historicamente premia quem navegou melhor em relação ao próprio rating do barco, enquanto a Fita Dourada celebra a velocidade bruta, sem ajustes técnicos.

Na prática, isso cria duas disputas dentro da mesma regata. Um veleiro mais lento no papel, mas com uma tripulação afiada, ainda pode brigar pela Fita Azul mesmo sem cruzar a linha em primeiro lugar. Já a Fita Dourada tende a favorecer os barcos maiores e fisicamente mais rápidos, que nem sempre são os favoritos ao título principal. Se o formato pegar, a expectativa razoável é que a nova categoria injete um pouco mais de imprevisibilidade numa prova que, pelo menos na disputa por tempo corrigido, tem sido dominada por um único nome havia quase vinte anos.

Perguntas frequentes

  • O que é a Refeno? É a Regata Internacional Recife–Fernando de Noronha, considerada a maior regata oceânica da América Latina, organizada pelo Cabanga Iate Clube de Pernambuco desde a década de 1980.
  • Quando começa a Refeno 2026? A largada está marcada para 19 de setembro de 2026, no Marco Zero do Recife, com chegada e festa em Fernando de Noronha no dia 21 de setembro.
  • Qual a distância percorrida pelos veleiros? A travessia cobre aproximadamente 300 milhas náuticas, cerca de 560 quilômetros, entre o litoral de Pernambuco e o arquipélago de Fernando de Noronha.
  • Quem é o maior campeão da Refeno? O veleiro Adrenalina Pura, do Cabanga Iate Clube, com dez títulos (Fitas Azuis) conquistados entre 2000 e 2025, incluindo o recorde de tempo da prova, cravado em 2007.