Acompanho a temporada 2026 da vela de oceano brasileira desde a largada da Regata Santos-Rio, e a fase que fecha o calendário é também a mais disputada. O Campeonato Brasileiro de Oceano 2026 entrou neste fim de semana na etapa decisiva, o 57º Circuito Rio, realizado de 30 de outubro a 2 de novembro na sede do Iate Clube do Rio de Janeiro. É ali que a Associação Brasileira de Veleiros de Oceano (ABVO), braço de vela oceânica ligado à Confederação Brasileira de Vela, fecha o título do ano somando os resultados da travessia Santos-Rio aos das regatas de barla-sota disputadas na baía carioca.

Veleiro De Oceano Disputando Regata Na Baía De Guanabara Durante O Circuito Rio, Etapa Decisiva Do Campeonato Brasileiro De Oceano 2026

O campeonato deste ano mudou de formato, e a mudança é parte do que torna a etapa do Rio tão aberta. Até a edição passada, parte dos resultados podia ser descartada no fechamento da pontuação. Em 2026 isso acabou: todas as regatas somam, sem descarte, pelo sistema High Point (quem acumula mais pontos ao vencer). A Santos-Rio, disputada em 22 de outubro com chegada perto da Ilha Rasa, vale peso 1 e funciona como primeiro critério de desempate, enquanto cada regata do Circuito Rio tem peso um pouco maior que a anterior, de 1,1 na segunda prova até 1,7 na última. “Com os pesos aumentando a cada regata, a regularidade será cada vez mais importante do que um resultado isolado”, afirmou o comodoro da ABVO, Bayard Umbuzeiro Neto, ao justificar a mudança como forma de manter a disputa viva até a bandeirada final.

Essa pontuação progressiva já mudou a liderança da principal classe do campeonato. A Crioula 52, do velejador Eduardo Plass, venceu a Regata Santos-Rio e chegou ao Circuito Rio na ponta da classe ORC. No sábado (31), porém, um problema técnico na primeira regata do dia tirou a Crioula 52 da liderança, e o veleiro Magia IV, de Torben Grael, assumiu a ponta ao vencer a última prova da jornada depois de um quinto lugar na primeira. Com Martine Grael e Marcelo Ferreira na tripulação, o trio reúne três campeões olímpicos em dupla na mesma embarcação, reforçado por Andrea Grael e Duda Serrão, da base de formação do Projeto Grael na classe ILCA 6. “Temos uma equipe muito entrosada, e isso faz diferença nas manobras e nas decisões a bordo”, disse Torben Grael sobre a guinada na liderança.

A disputa não se resume à classe ORC. Na Bra-RGS, o veleiro Avohai, de Luiz Henrique Macedo, chegava ao fim do sábado com aproveitamento máximo nas provas realizadas desde a Santos-Rio, à frente do Nativo 3, de Eduardo Harabedian, e do My Boy, de Lars Muller. Na divisão ORC Cruiser, a liderança era do Dona Bola, com o argentino Double Black e o Xamã logo atrás, e na RGS-Cruiser o BL3 Mangalô abria vantagem sobre o Invocado e o McDaud. Outro nome a observar é o Onda, do skipper Marcelo Bellotti, patrocinado pela Phytoervas e pela Galápagos Capital, que venceu a edição de 2025 do Circuito Rio e tentava repetir o resultado nesta edição. Ao todo, a ABVO contabilizava 48 veleiros inscritos entre as classes ORC, Bra-RGS, RGS-Cruiser e Clássicos, o maior número de inscritos do campeonato neste ano, segundo reportagem da CartaCapital.

A programação da etapa carioca segue um roteiro apertado: a sexta-feira (30) teve a cerimônia de abertura e a entrega da premiação da Santos-Rio à noite, sábado e domingo tiveram duas regatas de barla-sota por dia, e a segunda-feira (2 de novembro) fecha a etapa com a última bateria de provas e a premiação do Circuito Rio e do Campeonato Brasileiro de Oceano, marcada para o fim da tarde no Iate Clube do Rio de Janeiro. Como nenhum resultado pode ser descartado neste ano, a prova final tem peso 1,7, o maior de toda a temporada, e qualquer troca de posição nela pode decidir o título em mais de uma classe.

Esse formato de pontuação crescente aproxima o Circuito Rio de outros campeonatos de vela oceânica que também buscam manter a emoção até a última regata, em vez de deixar o título definido com provas de sobra. Para quem acompanha o circuito brasileiro desde a largada em Santos, a lição do fim de semana é que a Santos-Rio, embora vença quem cruza primeiro a baía de Guanabara, deixou de ser garantia de título: o que a Crioula 52 mostrou nas provas de 2025 e no início do Circuito Rio deste ano, a Magia IV respondeu em uma única regata de sábado.

O nome “Circuito Rio” carrega mais de meio século de tradição na vela oceânica carioca: esta é a 57ª edição, promovida pelo Iate Clube do Rio de Janeiro desde os anos 1960 como sequência natural da travessia que parte de Santos. A combinação das duas provas num único campeonato, hoje sob a bandeira da ABVO, segue a lógica original da dupla Santos-Rio: primeiro a largada oceânica entre os dois portos, depois uma série de regatas de barla-sota dentro da baía de Guanabara para testar a tripulação em condições diferentes de vento e corrente. A classe Clássicos, que reúne veleiros de desenho mais antigo, mantém essa ponte com a história do circuito mesmo enquanto as classes ORC e Bra-RGS concentram a disputa pelo título geral deste ano.

Perguntas frequentes sobre o Campeonato Brasileiro de Oceano 2026

O que é o Campeonato Brasileiro de Oceano?
É a principal competição anual de vela oceânica do Brasil, organizada pela Associação Brasileira de Veleiros de Oceano (ABVO) com apoio institucional da Confederação Brasileira de Vela, reunindo embarcações das classes ORC, Bra-RGS, RGS-Cruiser e Clássicos.

Como funciona a pontuação do campeonato em 2026?
A Regata Santos-Rio vale peso 1 e serve de critério de desempate, enquanto cada regata do Circuito Rio tem peso progressivo, de 1,1 até 1,7 na prova final, e nenhum resultado pode ser descartado.

Quem lidera a classe ORC no Circuito Rio?
Até o sábado (31 de outubro), a liderança era da Magia IV, de Torben Grael, depois de a Crioula 52 ter um problema técnico na primeira regata do dia.

Quando o campeonato é decidido?
Na segunda-feira, 2 de novembro, com a última bateria de provas e a cerimônia de premiação no Iate Clube do Rio de Janeiro.