O São Paulo Boat Show 2026 abre as portas no dia 24 de setembro, no São Paulo Expo, e chega para a sua 29ª edição prometendo superar os números da mostra anterior. Como quem acompanha de perto o mercado náutico brasileiro, separei o que considero mais relevante desta edição: não é só o maior salão náutico da América Latina reunindo lanchas e iates de ponta, mas também um retrato de um setor que está apostando pesado no crescimento — e que decidiu, de quebra, colocar um “barco-carro” inspirado em uma orca no centro das atenções.
A feira ocupa o São Paulo Expo, na Rodovia dos Imigrantes, entre os dias 24 e 29 de setembro, com funcionamento das 13h às 22h (abertura às 15h no primeiro dia e encerramento às 21h no último). Os ingressos avulsos custam R$ 90, com meia-entrada de R$ 45 para idosos e pessoas com deficiência, além de um passe completo de seis dias por R$ 450. Mais de 120 marcas devem expor cerca de 170 embarcações, repetindo o formato que, na edição de 2025, resultou em mais de 750 barcos vendidos — um crescimento de 7,1% sobre os 700 negociados em 2024.
O barco-carro inspirado em uma orca
A grande novidade que mais me chamou atenção nesta edição é a estreia brasileira do Seacar Velocity 2027, um híbrido de carro e embarcação apresentado pela Seacar Company. O veículo atinge 80 km/h na água, tem motorização de popa e capacidade para cinco pessoas — três em um banco esportivo traseiro e duas na dianteira. O design, segundo a fabricante, foi inspirado deliberadamente em uma orca: perfil baixo, faróis estreitos que lembram o olhar do animal e uma combinação de cores em preto e branco que remete diretamente à espécie.
Nílton Goes, diretor da Seacar Company, resumiu a proposta de um jeito que descreve bem o espírito da categoria: “Algumas formas não são criadas. São inspiradas. A orca foi nossa principal referência por reunir força, velocidade e elegância.” O modelo chega ao mercado brasileiro com preço inicial de R$ 189 mil e um painel redesenhado, som embarcado e iluminação em LED — um pacote que mistura estética de carro esportivo com a funcionalidade de uma lancha de praia (detalhes confirmados pelo Náutica.com.br).
Vale registrar que veículos híbridos de carro e barco aparecem com regularidade em salões náuticos mundo afora, quase sempre como peça de vitrine — mas raramente chegam à venda efetiva no Brasil com preço público, o que torna o Velocity 2027 um caso concreto a acompanhar, não apenas um conceito de feira.
Um mercado que aposta em R$ 21 bilhões
Por trás da vitrine de lançamentos, o São Paulo Boat Show 2026 também é o palco onde o setor náutico paulista expõe suas contas. São Paulo já concentra 240.981 embarcações registradas, o equivalente a 24% de toda a frota náutica do país, e a meta do setor é elevar o faturamento do turismo náutico de R$ 6,3 bilhões para R$ 21 bilhões até 2033. Para sustentar esse salto, está prevista a construção de 60 novos píeres e pontos de acesso à água no estado até o mesmo ano — um investimento em infraestrutura que hoje é, segundo o próprio setor, um dos principais gargalos para o crescimento da náutica de lazer no Brasil.
Os números de bastidores ajudam a entender o otimismo: 90% dos espaços comerciais já estavam vendidos quatro meses antes da abertura, indicador de demanda que reforça a aposta em superar 2025, quando cerca de 40 mil visitantes passaram pelo evento. Entre as embarcações maiores, a Intermarine repete presença com modelos de 60 e 70 pés, a Azimut Yachts (fabricada em Itajaí) leva iates de até 30 metros, e a Schaefer Yachts, de Palhoça, expõe sete lanchas, incluindo a 26M, de 86 pés — enquanto a Sessa Marine adianta as linhas F42, F48 e uma prévia da futura F60.
Do lifestyle à moto aquática
Outra mudança perceptível nesta edição é a ampliação do perfil “lifestyle” do salão, que passou a incluir carros esportivos, buggies e veículos elétricos ao lado das embarcações — um movimento que segue uma tendência já vista em feiras náuticas internacionais, de tratar o público como consumidor de um estilo de vida à beira-mar, e não apenas como comprador de barco. Motos aquáticas também ganham espaço de destaque, com direito a um modelo batizado em homenagem a Ayrton Senna circulando entre os estandes — um aceno claro ao público que enxerga na água uma extensão natural da paixão por velocidade que o piloto brasileiro representa até hoje.
Do meu ponto de vista, essa combinação de vitrines revela uma estratégia comercial bem definida: usar peças de forte apelo visual — o barco-carro em forma de orca, a moto aquática de Senna — para atrair um público mais amplo, inclusive quem nunca pensou em comprar uma lancha, para dentro de um evento cujo objetivo real é fechar negócios em embarcações bem maiores. É a mesma lógica dos salões automotivos, em que o carro-conceito na entrada existe para levar visitantes até os modelos que sustentam o balanço da marca.
Por que isso importa para quem navega
Para quem acompanha o setor náutico de perto, o São Paulo Boat Show 2026 funciona como um termômetro anual de para onde o mercado brasileiro está indo — em tecnologia e em apetite de consumo. A meta de R$ 21 bilhões até 2033 só se sustenta se a infraestrutura pública (marinas, píeres, pontos de acesso) acompanhar o ritmo das vendas, algo ainda mais no campo do planejamento do que da execução. Já a chegada de um produto como o Seacar Velocity 2027, com preço público e datas de entrega, sinaliza que o segmento de “brinquedos” náuticos de alto desempenho está deixando de ser exclusividade de feiras internacionais para virar oferta concreta no Brasil.
Fica também um contraste que vale registrar: enquanto o São Paulo Boat Show celebra recordes de vendas e lançamentos, a maior parte da frota que navega hoje nas águas brasileiras é formada por embarcações usadas e de médio porte, mais parecidas com o que se vê em feiras regionais e em anúncios de segunda mão do que com os iates de 30 metros expostos no estande da Azimut. O salão paulista mostra o topo da pirâmide do setor — e é justamente esse topo que costuma puxar tecnologia, financiamento e visibilidade para o restante do mercado nos anos seguintes, algo que já víamos em escala menor em feiras regionais como a feira de barcos usados de Itajaí, com test drive de iates de até 70 pés.
Perguntas frequentes sobre o São Paulo Boat Show 2026
- Quando e onde acontece o São Paulo Boat Show 2026?O evento ocorre de 24 a 29 de setembro de 2026, no São Paulo Expo, na Rodovia dos Imigrantes, km 1,5, em São Paulo, com funcionamento das 13h às 22h.
- Quanto custa o ingresso para o São Paulo Boat Show 2026?O ingresso avulso custa R$ 90 (mais taxa), a meia-entrada para idosos e pessoas com deficiência sai por R$ 45, e o passe para os seis dias de evento custa R$ 450, com opção de parcelamento.
- O que é o Seacar Velocity 2027?É um híbrido de carro e embarcação lançado pela Seacar Company, inspirado no design de uma orca, com motorização de popa, velocidade máxima de 80 km/h na água, capacidade para cinco pessoas e preço inicial de R$ 189 mil.
- Quantas embarcações e marcas estarão na feira?A edição de 2026 deve reunir mais de 120 marcas e cerca de 170 embarcações expostas, repetindo o formato da edição anterior, quando mais de 750 barcos foram vendidos durante o evento.


















