Três veleiros idênticos cruzaram as praias de Copacabana, Ipanema e Leblon no domingo e na segunda-feira, 1º e 2 de novembro, abrindo oficiosamente a passagem do SSL Gold Cup pelo Rio de Janeiro. A ação, com um avião puxando faixa promocional pelo céu da orla, antecipa a chegada da fase decisiva do torneio idealizado pela Star Sailors League, marcada para começar em 18 de novembro na Marina da Glória.

Veleiros Idênticos Do Ssl Gold Cup Navegando Na Baía De Guanabara, Rio De Janeiro

Chamado por boa parte da imprensa esportiva de “Copa do Mundo de Vela”, o SSL Gold Cup reúne embarcações de projeto idêntico, as SSL47: 15,60 metros de comprimento, 3,7 toneladas de deslocamento, 240 m² de área de vela e tripulações mistas de 8 a 10 velejadores, com peso combinado limitado a 730 kg. A regra de equipamento único é proposital: tirando a variável do barco, o torneio busca decidir só pela qualidade da tripulação.

A bordo de um dos três barcos que passearam pela orla carioca estava Xavier Rohart, presidente da Star Sailors League e medalhista de bronze na classe Star nos Jogos Olímpicos de Atenas 2004. Ao lado dele navegou o brasileiro Gabriel Portilho Borges, bicampeão pan-americano de vela, em uma tripulação formada também por velejadores da França, do Peru e do Chile, incluindo integrantes do Grêmio de Vela da Escola Naval, entre eles o cadete convidado Enzo de Giácomo Pereira. “Tenho muito respeito pela vela brasileira”, disse Rohart durante a travessia, segundo a reportagem da CartaCapital.

A escolha do Rio de Janeiro não é aleatória. A disputa de 2026 será sediada na AXIA Marina da Glória, mesma marina que recebeu as provas de vela dos Jogos Olímpicos Rio 2016, e deve se estender até 13 de dezembro. É só a segunda edição do torneio: a primeira aconteceu em 2022, com a decisão em 2023 disputada na Espanha, quando a Hungria levou o título diante de Itália e Países Baixos no pódio. O Brasil, naquela ocasião, terminou em 8º lugar.

O formato é o que dá ao evento o apelido de “Copa do Mundo”: 40 seleções nacionais de cinco continentes disputam a fase final em grupos de quatro países, com os dois melhores de cada chave avançando. A grande final, prevista para 13 de dezembro, é decidida em corrida única entre quatro nações, no estilo mata-mata que não perdoa erros. Segundo o Sail-World, a organização promete mais de 120 horas de transmissão ao vivo ao longo das semanas de disputa.

Por sediar o torneio, o Brasil entra direto na fase eliminatória, sem passar pelas etapas classificatórias, e disputa a rodada de 16 equipes entre 2 e 5 de dezembro contra a Polônia e outras duas seleções. Quem comanda a equipe brasileira é Robert Scheidt, um dos nomes mais vitoriosos da vela olímpica do país, que já havia liderado o time nacional na edição de 2023.

A passagem dos barcos pela orla carioca também serve de aquecimento para as equipes que chegam mais cedo ao Rio: segundo os relatos do fim de semana, as tripulações aproveitaram a saída para treinar manobras, manejo de vela e comunicação a bordo antes do início oficial da disputa, ainda em novembro.

Comandar a equipe brasileira nesta edição é tarefa para quem já viveu o auge da vela olímpica: Robert Scheidt é cinco vezes medalhista olímpico, com ouros conquistados na Laser e na Star, e segue entre os nomes mais vitoriosos da história do esporte no país. A ligação entre o Gold Cup e a classe Star, aliás, está no próprio nome da liga que organiza o torneio: a Star Sailors League nasceu de um esforço para profissionalizar as finais da classe olímpica, e hoje administra o Gold Cup com barcos próprios, as SSL47, diferentes dos veleiros Star de duas pessoas em que Rohart subiu ao pódio em 2004.

O SSL Gold Cup chega ao Rio na mesma semana em que a cidade terminou de sediar a etapa decisiva do Campeonato Brasileiro de Oceano 2026, no Iate Clube do Rio de Janeiro, reforçando um calendário carregado de vela de alto nível na Baía de Guanabara neste final de ano. Entre a vela oceânica das classes ORC e Bra-RGS e agora o formato de match race em grupo das SSL47, o Rio concentra, em poucas semanas, duas competições de perfis bem diferentes dentro do esporte.

Vale notar que a Confederação Brasileira de Vela (CBVela) aparece como apoiadora do evento nas publicações mais recentes, embora um comunicado da própria Star Sailors League, divulgado no lançamento do projeto em 2025, tenha descrito a entidade como organizadora local. A diferença de papel não muda o essencial: a estrutura do torneio é da Star Sailors League, com World Sailing reconhecendo o Gold Cup como evento especial do calendário internacional.

Perguntas frequentes sobre o SSL Gold Cup no Rio

O que é o SSL Gold Cup?
É o torneio organizado pela Star Sailors League que reúne seleções nacionais de vela em barcos de projeto idêntico, as SSL47, disputando um formato eliminatório por grupos até uma final única. A imprensa esportiva costuma chamá-lo de Copa do Mundo de Vela.

Quando o SSL Gold Cup 2026 acontece no Rio de Janeiro?
A fase decisiva começa em 18 de novembro e vai até 13 de dezembro, com sede na Marina da Glória, mesmo local das provas de vela dos Jogos Olímpicos Rio 2016.

Quantos países disputam o torneio?
40 seleções nacionais de cinco continentes, divididas em grupos de quatro equipes, com os dois melhores de cada grupo avançando até a final.

Quem lidera o Brasil na competição?
Robert Scheidt comanda a seleção brasileira, que entra direto na fase eliminatória por sediar o evento e enfrenta a Polônia e outras duas seleções na rodada de 16 equipes, entre 2 e 5 de dezembro.