A Copa Mitsubishi 2026 chega a um dos momentos mais tensos do calendário da vela oceânica brasileira. Neste fim de semana, 26 e 27 de setembro, Ilhabela recebe o segundo bloco de regatas da terceira etapa do Circuito Ilhabela de Vela Oceânica, e a briga pelo título geral está mais aberta do que em qualquer edição recente. No centro dela está o Phytoervas 4Z, comandado por Marcelo Bellotti, que chega à ilha embalado por uma conquista recente em outra classe completamente diferente — e isso muda a leitura que faço desta etapa.
Acompanho o circuito há alguns anos e poucas vezes vi um velejador brasileiro disputando dois campeonatos nacionais tão distintos na mesma temporada com tanto destaque. É esse cruzamento — o mesmo nome, dois barcos, duas categorias — que torna esta reta final da Copa Mitsubishi 2026 mais interessante do que uma disputa de pontos corridos.
O que é o Circuito Ilhabela de Vela Oceânica
A Copa Mitsubishi é o nome comercial da 26ª edição do Circuito Ilhabela de Vela Oceânica, promovido pelo Yacht Club de Ilhabela (YCI) em parceria com a Associação Brasileira de Vela de Oceano (ABVO). É uma das competições de vela oceânica mais tradicionais do país, disputada em etapas ao longo do ano no arquipélago de Ilhabela, no litoral norte de São Paulo — um dos poucos trechos de costa brasileira com condições de vento e correnteza reconhecidas internacionalmente para a modalidade.
O formato reúne seis classes simultâneas: ORC, BRA-RGS, Clássicos, C30, HPE25 e RGS Cruiser, cada uma com sua própria disputa de pontos corridos. Isso significa que, na prática, a “Copa Mitsubishi” não é uma corrida só, mas seis campeonatos paralelos acontecendo na mesma água, no mesmo fim de semana, com bandeiras de largada diferentes para cada classe.
A terceira etapa da temporada 2026 foi dividida em dois fins de semana — o primeiro em 21 e 22 de setembro, o segundo agora, em 26 e 27 — antes da etapa final, marcada para 5 e 6 de dezembro, quando o circuito se encerra tradicionalmente com a regata Volta à Ilha – Sir Peter Blake.
A briga pelo título na classe ORC Performance
É na classe ORC Performance que a disputa está mais acirrada. Depois da segunda etapa, em agosto, o Inaê Soto40, comandado por Bayard Umbuzeiro Neto e apoiado pelo Porto de Santos via Lei de Incentivo ao Esporte, liderava a classificação geral. O barco, vice-campeão da Copa Mitsubishi em 2025, vinha de uma regularidade que o próprio comandante descreveu como sinal de que a equipe “está no caminho certo”.
O Phytoervas 4Z, de Bellotti, venceu a segunda etapa isoladamente, mas chega a este fim de semana decisivo na terceira posição da classificação geral da ORC Performance — atrás do Inaê Soto40 e de outro concorrente direto, o Onda. É uma posição que exige resultado: sobrar pontos nas regatas de domingo pode ser a diferença entre briguar a etapa final em dezembro como favorito ou como coadjuvante.
O próprio Phytoervas 4Z não chega como estreante à pressão de disputa apertada. Em 2025, o projeto levou os títulos da Copa Mitsubishi, da Regata Santos-Rio e do Circuito do Rio — um retrospecto que hoje pesa tanto a favor (experiência em decisões) quanto contra (é o time a ser batido).
Bellotti chega embalado do Brasileiro de Star
O que torna esta etapa da Copa Mitsubishi 2026 mais interessante para mim é o momento de Marcelo Bellotti fora da água oceânica. Em 13 de setembro, no Iate Clube do Rio de Janeiro, Bellotti e o parceiro de tombadilho Maurício Bueno conquistaram o título do Campeonato Brasileiro de Star 2026 — uma classe olímpica de dois tripulantes, bem diferente dos barcos de cruzeiro-regata que disputam a Copa Mitsubishi.
A dupla fechou a competição com 9 pontos e três vitórias em seis regatas, superando nomes de peso da vela nacional: Lars Grael e Renato Moura, que terminaram em segundo lugar. Grael é bicampeão mundial e bicampeão olímpico da classe Tornado, uma das referências históricas da vela brasileira — vencê-lo numa frota de 13 barcos, que incluía também o vice-campeão de 2024, não é resultado trivial.
Sobre a disputa no Rio, Bellotti resumiu ao final: “Foram dias desafiadores […] fomos para o último dia de disputa com uma boa vantagem […] ganhamos as outras duas, foi um dia muito legal!”. É a mesma consistência sob pressão que o Phytoervas 4Z vai precisar reproduzir agora em Ilhabela, numa classe de barco diferente e contra adversários diferentes, mas com a mesma exigência: administrar vantagem sem entregar pontos bobos na reta final.
O que vem depois: a etapa final em dezembro
Concluído o segundo fim de semana da terceira etapa, o Circuito Ilhabela de Vela Oceânica entra em pausa até a etapa final, em 5 e 6 de dezembro, quando a temporada se encerra com a Volta à Ilha – Sir Peter Blake — uma regata batizada em homenagem ao velejador neozelandês, duas vezes vencedor da Whitbread Round the World Race e figura central da vela oceânica mundial antes de sua morte em 2001. A prova é tradicionalmente disputada em torno da própria Ilhabela e reúne, na mesma água, barcos de todas as seis classes do circuito.
Vale lembrar que esse fechamento de temporada em Ilhabela não é novidade: a mesma Volta à Ilha Sir Peter Blake já encerrava o circuito em 2020, quando ele ainda era patrocinado sob outro nome comercial, a Copa Suzuki — um lembrete de que, embora os patrocinadores mudem ano a ano, a estrutura de competição em Ilhabela é uma das mais consolidadas do calendário náutico brasileiro.
Para quem acompanha vela oceânica no Brasil, o desfecho da Copa Mitsubishi 2026 em dezembro promete ser decidido nas últimas bordejadas — como normalmente acontece quando mais de um barco chega à etapa final matematicamente vivo pelo título.
Perguntas frequentes
- O que é a Copa Mitsubishi? É o nome comercial da 26ª edição do Circuito Ilhabela de Vela Oceânica, competição de vela oceânica promovida pelo Yacht Club de Ilhabela com etapas ao longo do ano em seis classes diferentes de barco.
- Quando é a etapa decisiva da Copa Mitsubishi 2026? A terceira etapa foi disputada em dois fins de semana, 21-22 e 26-27 de setembro de 2026. A etapa final do circuito, a regata Volta à Ilha – Sir Peter Blake, acontece em 5 e 6 de dezembro de 2026.
- Quem lidera a disputa pelo título na classe ORC Performance? Depois da segunda etapa, o Inaê Soto40 (comandado por Bayard Umbuzeiro Neto) liderava a geral, seguido de perto pelo Onda e pelo Phytoervas 4Z, de Marcelo Bellotti, que vinha de vitória isolada na etapa anterior.
- Quem é Marcelo Bellotti? Velejador brasileiro que comanda o projeto Phytoervas 4Z na Copa Mitsubishi e que, em setembro de 2026, também conquistou o Campeonato Brasileiro de Star ao lado de Maurício Bueno, superando Lars Grael e Renato Moura na disputa.


















