Um naufrágio perto de Ilhabela terminou em resgate sem feridos na manhã do último domingo, 25 de outubro. A lancha Águia VII, que havia saído do Guarujá, foi encontrada emborcada no mar, com os quatro tripulantes equilibrados sobre o próprio casco, até serem avistados e recolhidos por um navio mercante de bandeira de Singapura batizado Coral.
O alerta chegou primeiro ao Grupamento de Bombeiros Marítimo de São Paulo (GBMar), responsável pela segurança de banhistas e embarcações no litoral paulista. A corporação acionou a Capitania dos Portos de São Paulo (CPSP), órgão da Marinha do Brasil que fiscaliza a navegação na região, e foi a Capitania que estabeleceu contato por rádio com o Coral, orientando o navio até o ponto onde a lancha havia virado.
Segundo a CPSP, em informações repassadas à imprensa e publicadas pelo Santa Portal, a embarcação naufragou a 88 milhas náuticas de Ilhabela, o equivalente a cerca de 163 quilômetros mar adentro. A distância circulou de forma imprecisa nas primeiras horas após o resgate: alguns veículos publicaram 160 quilômetros, outros falaram em 80 milhas náuticas a partir de São Sebastião. Os números batem quando arredondados a partir da medição oficial da Capitania, mas a referência de origem (Ilhabela ou São Sebastião) variou entre as primeiras notas publicadas sobre o caso.
Os quatro ocupantes da Águia VII não sofreram ferimentos e não apresentavam sinais de afogamento quando chegaram a bordo do Coral. Depois do resgate em alto-mar, o navio seguiu em direção ao Porto de Santos, onde o grupo foi transferido para uma embarcação da própria Capitania, com apoio da praticagem, da autoridade portuária e de rebocadores que acompanharam a manobra de atracação.
Até a publicação das primeiras reportagens sobre o caso, a Marinha não havia detalhado as causas do naufrágio, e nenhuma das fontes consultadas confirmou a abertura de um Inquérito sobre Acidentes e Fatos da Navegação (IAFN), processo previsto no artigo 33 da Lei 9.537/1997 para apurar acidentes com embarcações em águas brasileiras. Esse tipo de inquérito costuma ser aberto nos dias seguintes a ocorrências do tipo, como já aconteceu em outros naufrágios recentes no litoral paulista.
Este não é o primeiro naufrágio perto de Ilhabela neste ano. Em outubro, a lancha Shot afundou na região e deixou uma vítima fatal, acidente que a Capitania dos Portos de São Sebastião também apurou por meio de um IAFN. Naquele caso, o resgate foi feito pelo GBMar com a embarcação LA Benedito, apenas um casal sobreviveu e a vítima foi identificada como Gregory Larsen Reyer, de 35 anos. A diferença entre os dois casos ajuda a entender por que o desfecho da Águia VII foi tratado como uma história de final feliz: a tripulação permaneceu visível sobre o casco emborcado, e o acionamento rápido da cadeia de resgate, do GBMar à Capitania e ao navio mercante, encurtou o tempo até o socorro chegar.
O que a Normam-03 exige das embarcações de recreio
Esse tipo de desfecho depende de equipamentos básicos de segurança a bordo: coletes salva-vidas, sinalizadores pirotécnicos, bóias e rádio VHF, entre outros itens exigidos pela Normam-03 da Diretoria de Portos e Costas da Marinha para embarcações de esporte e recreio. A norma define o conjunto mínimo conforme o tamanho da lancha e a área em que ela navega, e a ausência desses itens aparece com frequência entre as causas apontadas em inquéritos administrativos abertos após acidentes como este.
A obrigação internacional de socorro no mar
A participação de um navio mercante estrangeiro no resgate não é incomum na costa brasileira. A Convenção Internacional para Salvaguarda da Vida Humana no Mar, a Solas, obriga comandantes de qualquer nacionalidade a prestar socorro a embarcações em perigo sempre que estiverem nas proximidades, independentemente da bandeira do navio ou da origem da embarcação sinistrada. Ao longo deste ano, outros episódios de assistência marítima internacional já ocorreram na costa do Brasil, incluindo resgates coordenados pelo sistema Salvamar da Marinha em parceria com meios estrangeiros.
Fiscalização e segurança no litoral paulista
O GBMar, unidade criada para atuar na faixa de praia e no mar do litoral de São Paulo, soma um histórico de atuação que vai além dos resgates de embarcações: segundo a corporação, o litoral paulista registrou 91 mortes por afogamento entre janeiro e novembro de 2024. O número reforça o papel da fiscalização marítima na região, que combina a atuação da Capitania dos Portos com o trabalho dos bombeiros em terra e no mar.
A chegada segura dos quatro tripulantes ao Porto de Santos encerrou, por ora, o episódio sem registro de feridos. Resta à Capitania dos Portos de São Paulo esclarecer, nos próximos dias, as circunstâncias que levaram a Águia VII a virar em alto-mar, a uma distância considerável da costa. Até lá, o caso soma mais um registro à lista de ocorrências que a autoridade marítima paulista acompanha ao longo do ano no trecho entre o litoral norte do estado e o Porto de Santos, uma das rotas mais movimentadas do país tanto para embarcações de recreio quanto para o tráfego mercante de longo curso.
Perguntas frequentes
Onde fica o local do naufrágio da lancha Águia VII?
A embarcação virou a 88 milhas náuticas de Ilhabela, cerca de 163 quilômetros mar adentro, segundo a Capitania dos Portos de São Paulo.
Quem resgatou os tripulantes da lancha?
O navio mercante Coral, de bandeira de Singapura, atendeu ao chamado por rádio da Capitania dos Portos de São Paulo e recolheu os quatro ocupantes da lancha até o Porto de Santos.
Houve vítimas no naufrágio perto de Ilhabela?
Não. Os quatro tripulantes foram resgatados sem ferimentos e sem sinais de afogamento.
A Marinha abriu inquérito sobre o caso?
Até a publicação das primeiras reportagens, nenhuma fonte havia confirmado a abertura de um Inquérito sobre Acidentes e Fatos da Navegação (IAFN), processo padrão da Marinha para apurar acidentes com embarcações em águas brasileiras.
















