A balsa naufraga em Santarém que vou contar aqui carregava uma carga e tanto: caminhões, caminhonetes, dezenas de motocicletas novas e contêineres de eletrônicos que saíram de Manaus com destino a Belém. A embarcação, batizada Lunna II, afundou na tarde de segunda-feira, 2 de novembro de 2026, nas imediações do Porto dos Milagres, no trecho do Rio Amazonas em frente a Santarém, no oeste do Pará.

Comboio Fluvial Na Amazônia Com Balsa De Carga Parcialmente Afundada Perto De Santarém

O que se sabe sobre o acidente

A Lunna II não tem motor próprio: navegava rebocada pelo empurrador Coronel Heitor, num comboio fluvial que faz a rota Manaus-Belém, um dos corredores mais movimentados de transporte de carga da Amazônia. Esse modelo, empurrador mais balsas sem propulsão própria, é o padrão da navegação de cargas pesadas na região, já que a maior parte do trajeto entre as duas capitais não tem alternativa rodoviária viável. Segundo a Capitania Fluvial de Santarém (CFS), ligada à Marinha do Brasil e citada pelo jornal O Liberal, equipes foram enviadas ao local assim que o alerta chegou. A corporação confirmou o afundamento, mas ainda não detalhou publicamente o que levou a balsa a perder estabilidade.

Páginas de notícia da região atribuem a informação de que a embarcação “virou” a relatos da própria tripulação, enquanto outro veículo de Manaus descreveu um afundamento parcial, com parte do casco ainda acima da linha d’água. A diferença mostra que, três dias depois do ocorrido, o quadro técnico do acidente segue incompleto. Uma publicação da região também chegou a sugerir que a seca que atinge trechos do Amazonas neste período do ano poderia ter contribuído para o afundamento, mas isso não consta da nota oficial da Marinha nem foi confirmado por nenhuma fonte com acesso à apuração da Capitania.

Caminhões, motos novas e eletrônicos no fundo do rio

O carregamento reunia caminhões, carretas e caminhonetes, além de um caminhão-cegonha com dezenas de motocicletas ainda embaladas em plástico, prontas para revenda em Belém. Havia também contêineres de produtos eletrônicos, parte do fluxo constante de mercadorias que abastece o comércio paraense por via fluvial. Publicações em redes sociais, como a página SOS Santarém, chegaram a falar em cerca de 300 motocicletas elétricas perdidas, mas esse número não aparece na nota oficial da Marinha nem foi confirmado por nenhuma reportagem que apurou a informação diretamente com a Capitania. Até a publicação deste texto, nenhuma empresa transportadora ou proprietária da carga havia se manifestado publicamente, e o valor total do prejuízo também não foi divulgado de forma oficial.

Sem vítimas, mas apuração ainda em curso

O dado mais importante, e o único realmente consolidado entre as fontes, é que não houve vítimas: a Marinha confirmou que não houve registro de mortes nem de feridos. Nenhuma fonte, porém, informou quantas pessoas estavam a bordo da balsa ou do empurrador no momento do acidente, nem como se deu o resgate da tripulação. A Capitania também não identificou indícios de poluição no rio, como manchas de óleo, o que reduz o risco ambiental imediato num trecho que abastece comunidades ribeirinhas ao longo do Amazonas e depende da água do rio para pesca e consumo doméstico.

Inquérito aberto, resposta cabe ao Tribunal Marítimo

A Capitania Fluvial de Santarém abriu um Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação (IAFN), o procedimento padrão da Marinha para apurar sinistros com embarcações no país, previsto no artigo 33 da Lei 9.537/1997. O resultado da apuração segue depois para o Tribunal Marítimo, órgão federal responsável por determinar causas e eventuais responsabilidades em acidentes na navegação brasileira. A Marinha não deu prazo para a conclusão do processo nem informou se a Lunna II ou o empurrador Coronel Heitor têm histórico de outras ocorrências. Quem testemunhou o acidente ou tem informações pode acionar o Disque Emergências Marítimas e Fluviais, pelo número 185, ou a própria Capitania Fluvial de Santarém, pelo telefone (93) 3522-2870.

Mais um sinistro na rota fluvial do Pará

O caso da Lunna II repete um padrão que a Marinha já vem registrando com frequência nos rios do Pará e do Amazonas. Em outubro, um ferry-boat naufragou na Baía do Marajó, perto de Barcarena, e resgatou as 11 pessoas que estavam a bordo sem vítimas, também sob abertura de um IAFN. Casos como esses reforçam o papel das capitanias fluviais locais na fiscalização de um transporte que, na Amazônia, é vital: sem estradas na maior parte da região, rios como o Amazonas e o Tapajós concentram boa parte da logística de cargas pesadas entre as capitais do Norte, e qualquer interrupção nessas rotas afeta diretamente o abastecimento de cidades que dependem quase inteiramente do transporte hidroviário.

Para quem acompanha o setor náutico na região amazônica, episódios como o da Lunna II também servem de lembrete sobre a idade média da frota fluvial brasileira e sobre a dificuldade de fiscalizar comboios que percorrem trechos remotos, muitas vezes sem sinal de telefone ou internet, até chegarem a um porto com infraestrutura de monitoramento.

Perguntas frequentes

A balsa Lunna II afundou completamente?

As fontes discordam nesse ponto. Parte da imprensa da região descreve a embarcação virando por completo, enquanto outro veículo fala em afundamento parcial, com parte do casco ainda visível. A Marinha não detalhou esse aspecto na nota oficial.

Houve vítimas no naufrágio em Santarém?

Não. A Capitania Fluvial de Santarém confirmou que não houve mortos nem feridos no acidente.

É verdade que quase 300 motos elétricas foram perdidas?

Esse número circulou em publicações de redes sociais, mas não consta da nota oficial da Marinha nem foi confirmado por reportagens que apuraram a informação diretamente com a Capitania. As fontes oficiais falam em “dezenas” de motocicletas novas, sem especificar se eram elétricas.

Quem está investigando o que causou o acidente?

A Capitania Fluvial de Santarém abriu um Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação (IAFN), cujo resultado será avaliado pelo Tribunal Marítimo.