A IBSAMAR, exercício naval trilateral entre Índia, Brasil e África do Sul, chegou à sua nona edição em 19 de outubro de 2026, perto da Base Naval de Simon’s Town, no litoral sul-africano. Acompanho de perto esse tipo de cooperação militar marítima, e nesta edição a Corveta Barroso representou o Brasil na água, em cinco dias de atividades que reuniram submarino, fragata, corveta e aeronaves de caça das três marinhas.

Navios De Guerra Em Formação Durante Exercício Naval Conjunto No Mar

O que é a Operação IBSAMAR

A IBSAMAR nasceu em 2008, quando Índia, Brasil e África do Sul realizaram a primeira edição do exercício naval trilateral, entre 2 e 16 de maio daquele ano, também na África do Sul. Desde então, o encontro ocorre a cada dois anos, com a única interrupção registrada em 2020. Das nove edições já realizadas, oito tiveram a África do Sul como anfitriã, a maior parte delas em Simon’s Town; a exceção foi a quinta edição, sediada em Goa, na Índia.

O exercício funciona como o braço naval do IBSA, o fórum de cooperação trilateral entre as três democracias que Índia, Brasil e África do Sul mantêm desde 2003, voltado a temas como comércio, segurança e desenvolvimento entre nações do hemisfério sul. Para esta edição, o lema escolhido pelas forças participantes foi “Stronger Together Towards a Shared Future in the Maritime Domain”, algo como “mais fortes juntos por um futuro compartilhado no domínio marítimo”.

Os meios navais envolvidos

O Brasil enviou a Corveta Barroso, com uma aeronave AH-11B Super Lynx embarcada. A África do Sul apresentou os navios SAS Amatola, SAS King Sekhukhune I e SAS Adamkok III, além do submarino SAS Manthatisi e aeronaves da força aérea sul-africana, entre elas um caça Gripen. A Índia participou com a fragata furtiva INS Tarkash, equipada com míssil guiado e um helicóptero Chetak embarcado.

Essa não é a primeira vez que a Marinha brasileira participa da IBSAMAR, mas é a terceira vez que a Corveta Barroso representa o país no exercício. Em edições anteriores, o Brasil já havia enviado as fragatas Defensora, Independência e Niterói, além do Navio-Patrulha Oceânico Amazonas.

As atividades do exercício

Ao longo dos cinco dias de IBSAMAR IX, as tripulações treinaram trânsito sob ameaça assimétrica, trânsito sob ameaça aérea, guerra antissubmarino, abordagem de embarcações com apoio de mergulhadores de combate, tiro real sobre alvo de superfície à deriva e manobras táticas conjuntas entre os navios e aeronaves das três marinhas. O comandante da Corveta Barroso, capitão de fragata Paulo Bacchini Munis, descreveu a IBSAMAR, segundo a Agência Marinha de Notícias, como “uma importante iniciativa de cooperação entre as Marinhas do Brasil, da Índia e da África do Sul”.

O conjunto de tarefas reflete o tipo de ameaça que as três marinhas dizem monitorar na região: tráfico marítimo ilegal, pirataria e necessidade de resposta rápida em águas que ligam o Atlântico Sul ao Oceano Índico, dois espaços marítimos que India, Brasil e África do Sul consideram estratégicos para o comércio e a segurança de suas costas.

Histórico da cooperação trilateral

Com nove edições completas desde 2008, a IBSAMAR já é um dos exercícios navais multilaterais mais estáveis entre marinhas do hemisfério sul, na mesma linha de outras operações recentes cobertas aqui no Popa, como a Solidarex V, realizada em outubro em Manta, no Equador, reunindo sete países sul-americanos e os Estados Unidos. A diferença da IBSAMAR para exercícios regionais como a Solidarex está no escopo: ela une marinhas de três continentes diferentes (América do Sul, África e Ásia), todas fora do eixo tradicional das grandes potências navais do Atlântico Norte.

Essa regularidade bienal, mantida mesmo durante a pandemia de 2020 (quando a edição foi simplesmente pulada, sem edições extras depois), sugere que o valor da IBSAMAR para os três países está menos na frequência e mais na continuidade: cada edição retoma protocolos de comunicação, táticas e familiaridade entre as tripulações que seriam perdidos se o exercício fosse descontinuado por mais tempo.

Próximos passos

Encerrada a IBSAMAR IX, a Corveta Barroso seguiu viagem para Walvis Bay, na Namíbia, onde a Marinha do Brasil realiza um exercício de passagem (PASSEX) com a marinha local. Esse tipo de exercício bilateral, mais simples que a IBSAMAR, costuma ser usado para manter o contato operacional com marinhas de países que recebem visitas de navios brasileiros em deslocamento, sem demandar o mesmo nível de planejamento conjunto de um exercício trilateral.

A sequência Simon’s Town, depois Walvis Bay, mostra como um único navio em viagem de instrução ou de presença naval pode acumular, numa mesma passagem pela costa africana, tanto um compromisso multilateral de longa data quanto um contato bilateral mais pontual, otimizando o tempo de mar da tripulação brasileira.

Perguntas frequentes

O que significa a sigla IBSAMAR?
IBSAMAR vem das iniciais de India, Brazil e South Africa, seguidas de “Maritime”, em referência à natureza naval do exercício trilateral entre os três países.

Com que frequência a IBSAMAR acontece?
O exercício é bienal desde sua primeira edição, em 2008, com uma única interrupção registrada em 2020. A edição de 2026 foi a nona da série.

Por que a maioria das edições ocorre na África do Sul?
A África do Sul já recebeu oito das nove edições, a maioria em Simon’s Town, por ser o único dos três países cuja costa fica entre o Atlântico Sul e o Índico, os dois espaços marítimos que a IBSAMAR busca integrar.

Qual embarcação representou o Brasil nesta edição?
A Corveta Barroso, da Marinha do Brasil, com uma aeronave AH-11B Super Lynx embarcada. Foi a terceira vez que esse navio específico participa da IBSAMAR.