A Regata Santos-Rio deste ano terminou com o Crioula 52, de Eduardo Plass, cruzando a linha de chegada perto da Ilha Rasa à 1h33 da madrugada de sábado (24) e levando a Fita Azul, o troféu que premia o primeiro barco a completar a travessia, antes mesmo da apuração pelo tempo corrigido. A prova, que abriu o Campeonato Brasileiro de Oceano de 2026, teve largada em Santos na quinta-feira (22) e reuniu 35 dos 48 barcos inscritos na temporada, com os outros 13 programados para entrar na disputa só nas regatas do Circuito Rio.
A organização ficou a cargo da Associação Brasileira de Veleiros de Oceano (ABVO), em parceria com o Iate Clube de Santos e o Iate Clube do Rio de Janeiro. Eu já tinha acompanhado, ainda no início de outubro, o anúncio de que esta edição mudaria o ponto de chegada da Baía de Guanabara para a região da Ilha Rasa, numa tentativa de reduzir o efeito das correntes de maré na barra. O resultado desta semana é a primeira prova real dessa mudança de percurso.
Vento de proa, calmaria e quatro horas para as últimas três milhas
Ricardo Baggio, diretor de vela do Iate Clube do Rio de Janeiro, resumiu a dificuldade da travessia: “foram mais de 24 horas de vento e mar contra, o que exige muito do barco, dos equipamentos e das tripulações”. Ventos de leste e nordeste mantiveram a frota em contravento boa parte do percurso, com ondas de proa e rajadas acima de 30 nós.
Depois de uma madrugada de calmaria, a entrada do vento sudoeste no meio da manhã de sábado permitiu que o restante da flotilha avançasse em direção à linha de chegada. O próprio Crioula 52 sentiu o efeito da calmaria bem de perto: segundo o tático Samuel Albrecht, a equipe levou quatro horas para navegar as últimas três milhas da prova. “Foi um desafio enorme lidar com essa frustração”, disse ele, “mas nos superamos e, além de ser Fita Azul, a gente tem grandes chances de ganhar a regata no tempo corrigido. Isso é um grande início para o Campeonato Brasileiro da próxima semana”.
Albrecht também explicou a escolha de rota que ajudou o barco a preservar a tripulação: “optamos por fazer uma passagem por dentro de Ilhabela esse ano, procurando preservar o barco e dar melhores condições para a equipe descansar e se reorganizar a bordo”. Pelo canal de São Sebastião, o Crioula 52 evitou parte do mar mais pesado que castigou outros concorrentes em mar aberto.
Disputa de cinco minutos pelo segundo lugar
Enquanto o Crioula 52 já comemorava a Fita Azul, a briga pelas posições seguintes continuava acesa. O Bravo, um Soto 40 comandado por Jorge Berdasco, cruzou a linha em segundo lugar, mas com uma margem mínima sobre o Onda Phytoervas, da equipe Phytoervas 4Z, que estreou nesta edição: apenas cinco minutos e seis segundos separaram os dois barcos na chegada. Duma e o Inaê Soto 40 Transbrasa completaram as primeiras cinco posições na ordem de chegada, à frente de uma frota ainda em rota para a Ilha Rasa quando a reportagem da regata foi publicada.
O desgaste da travessia também cobrou seu preço: sete embarcações desistiram até o início da tarde de sábado, sendo quatro da categoria RGS-Cruiser, duas da ORC e uma da Bra-RGS. Segundo a direção de vela da prova, a maior parte das retiradas teve como causa problemas de equipamento ou avarias, sem detalhamento caso a caso. Os detalhes da chegada foram registrados pelo colunista Flávio Perez, na cobertura da regata para a coluna “A bordo do esporte”.
Uma vitória que ecoa o histórico do nome Crioula
O nome Crioula já é conhecido entre os velejadores da Santos-Rio. Um retrospecto da prova publicado pelo portal Perfil Náutico registra que o Crioula, do Rio Grande do Sul, já havia levado a Fita Azul em uma edição anterior, completando o percurso em 27 horas e 3 minutos, e que o Crioula sediado em Angra dos Reis repetiu o feito em 2023, com 29 horas, 30 minutos e 9 segundos. O barco que venceu agora, batizado Crioula 52 e comandado por Eduardo Plass, é outra embarcação dentro dessa linhagem vitoriosa, o que mostra como certas famílias de barcos acabam se tornando sinônimo de competitividade numa prova com mais de sete décadas de história.
A Santos-Rio vale peso 1 na pontuação do Campeonato Brasileiro de Oceano e seu resultado, segundo a cobertura da prova, não pode ser descartado na soma de pontos da temporada. A sequência do campeonato já está marcada: entre 30 de outubro e 2 de novembro, a frota disputa o 57º Circuito Rio, mantendo a disputa pelo título geral aberta tanto na classificação por chegada quanto no tempo corrigido, que ainda pode mudar a ordem final desta etapa.
Perguntas frequentes
O que é a Fita Azul na Regata Santos-Rio?
É o troféu entregue ao primeiro barco a cruzar a linha de chegada, independentemente do seu tamanho ou categoria. Ela é diferente da classificação por tempo corrigido, que ajusta o resultado conforme as características técnicas de cada embarcação e pode indicar um vencedor diferente dentro de cada classe.
Por que a Regata Santos-Rio de 2026 chegou na Ilha Rasa em vez da Baía de Guanabara?
A organização mudou o ponto de chegada para reduzir o efeito das correntes de maré, que podem atingir 1,6 m/s na barra da Baía de Guanabara e historicamente interferiam no resultado final da prova nos últimos metros de percurso.
Quantos barcos participaram da 76ª Regata Santos-Rio?
Largaram 35 barcos em Santos, de um total de 48 inscritos no Campeonato Brasileiro de Oceano de 2026. Os outros 13 entram na disputa apenas a partir do Circuito Rio.
O resultado da Fita Azul decide o campeão da regata?
Não necessariamente. A Fita Azul premia apenas a ordem de chegada. A classificação oficial da prova, usada para a pontuação do campeonato, considera o tempo corrigido de cada barco, que pode colocar outra embarcação na liderança mesmo sem ter chegado primeiro.



















