A Gostoso Wingfoil Cup 2026 abre nesta quinta-feira, 24 de setembro, e leva o Campeonato Brasileiro de Wingfoil para o litoral norte do Rio Grande do Norte, dividido entre Touros e São Miguel do Gostoso. A etapa, que vai até domingo, 27 de setembro, reúne atletas de peso nas categorias Race, Freestyle e Wave num trecho de costa que já é tratado como referência mundial pelo vento que sopra praticamente o ano inteiro.
Organizada pela Associação de Classes Wingfoil (ABWing) em parceria com a Confederação Brasileira de Vela (CBVela) e com o Kauli Seadi Water Sports Club, a competição tem apoio das prefeituras de Touros e São Miguel do Gostoso e patrocínio da Armstrong Foils. O nome do clube-sede não é acaso: Kauli Seadi, tricampeão mundial de windsurf (2005, 2007 e 2008) e onze vezes campeão brasileiro, é o dono da casa — e a etapa carrega, além da disputa esportiva, uma espécie de passagem de bastão entre gerações do esporte a vento no Brasil.
Um tricampeão mundial como anfitrião
Kauli Seadi construiu a carreira no windsurf nos anos 2000, período em que o Brasil ainda disputava espaço internacional nesse esporte quase artesanalmente. Hoje, já sem a obrigação de competir no mais alto nível, ele descreve sua relação com o wingfoil como a redescoberta da mesma obsessão que sentiu aos 15 anos: “estou tão fissurado quanto quando comecei no windsurfe”, disse recentemente, ao comentar a nova fase da carreira. A diferença, segundo ele, é o tom: pratica “de forma leve”, sem a pressão de ser o melhor todos os dias.
Essa leveza não o afastou do centro do esporte. Pelo contrário: transformou seu clube em polo de formação para uma geração mais jovem, e é justamente essa geração que domina boa parte da lista de atletas confirmados na Gostoso Wingfoil Cup 2026. Entre os nomes anunciados estão Juan Mathias, campeão da categoria Race na edição anterior; Benito Wolf, vice-campeão em First Wave em 2025; Paolo Migliorini, vencedor da categoria Master; e Malik Pagnotti, campeão Freestyle Wave Open de 2025 e um dos destaques do wingfoil brasileiro — aos 12 anos de idade.
A presença de um atleta de 12 anos disputando de igual para igual com nomes consolidados diz bastante sobre a velocidade com que o wingfoil amadureceu como modalidade competitiva no país nos últimos anos. Onde o windsurf de Kauli Seadi levou uma geração inteira para se firmar internacionalmente, o wingfoil parece estar formando talentos de ponta em questão de poucas temporadas — muito por causa da infraestrutura que clubes como o dele já oferecem prontos para receber iniciantes.
O vento como vantagem competitiva de uma região
A escolha de Touros e São Miguel do Gostoso não é sobre paisagem — é sobre meteorologia. A região fica no que muitos praticantes chamam de “esquina” do litoral brasileiro, ponto em que a costa muda de orientação e os alísios sopram de forma mais constante e previsível do que na maior parte do restante do país. Esse detalhe geográfico, que poderia passar despercebido para quem não pratica esporte a vento, é o que sustenta toda uma economia local: pousadas, escolas de kitesurf e windsurf, aluguel de equipamento e um calendário de competições que se repete ano após ano.
Não é a primeira vez que esse padrão aparece no noticiário náutico brasileiro em 2026. Em setembro, o Festival GKC Velas Preá, no Ceará, já havia mostrado como uma temporada de ventos fortes movimenta a economia de uma cidade praiana inteira — ali, a projeção era de R$ 1,66 bilhão para o setor, ainda que a regulamentação de segurança para as competições seguisse em debate na Assembleia Legislativa local. O Rio Grande do Norte segue lógica parecida, mas com um ingrediente a mais: enquanto o Ceará constrói a marca em torno do volume de eventos e do fluxo turístico, o litoral potiguar tem no nome de Kauli Seadi um capital simbólico que poucos destinos de esporte a vento no mundo conseguem reunir.
Race, Freestyle e Wave: três formas de ler o mesmo vento
A Gostoso Wingfoil Cup 2026 disputa três categorias que exigem leituras completamente diferentes das mesmas condições de vento e mar. Na Race, os atletas competem em provas de velocidade pura, contornando boias em percursos cronometrados — é a categoria mais próxima, em espírito, das regatas de vela tradicionais, só que a bordo de uma prancha com foil e uma asa inflável no lugar da vela. Já o Freestyle premia manobras aéreas e giros técnicos executados em sequência, avaliados por jurados como numa competição de estilo livre. A Wave, por fim, usa as ondulações da própria arrebentação como obstáculo e trampolim, numa modalidade que dialoga diretamente com o surfe.
Ter as três categorias disputadas na mesma etapa, no mesmo trecho de litoral, é possível justamente por causa da combinação rara de vento forte e constante com uma costa que produz tanto trechos de água plana (ideais para Race e Freestyle) quanto pontos de arrebentação aproveitáveis para a Wave. É esse mesmo argumento — infraestrutura natural completa — que aparece repetidamente nas falas de organizadores e patrocinadores do evento.
Um calendário que não para
A etapa de Touros e São Miguel do Gostoso se soma a um calendário de wingfoil que já passou por outras praias brasileiras conhecidas pelo vento ao longo do ano, reforçando o RN como uma das bases mais consistentes da modalidade no país. O crescimento da base de atletas jovens, somado à presença de nomes históricos como Kauli Seadi em papel de mentor e anfitrião, sugere que essa etapa específica deve ganhar peso crescente no calendário nos próximos anos — especialmente se a região seguir investindo na infraestrutura que já a diferencia de outros destinos náuticos do país.
Perguntas frequentes
- O que é a Gostoso Wingfoil Cup 2026? É uma etapa oficial do Campeonato Brasileiro de Wingfoil, disputada em Touros e São Miguel do Gostoso (RN) entre 24 e 27 de setembro de 2026, nas categorias Race, Freestyle e Wave.
- Quem organiza o evento? A Associação de Classes Wingfoil (ABWing) e a Confederação Brasileira de Vela (CBVela), em parceria com o Kauli Seadi Water Sports Club e apoio das prefeituras de Touros e São Miguel do Gostoso.
- Quais atletas estão confirmados? Entre os nomes anunciados estão Kauli Seadi, Juan Mathias, Benito Wolf, Paolo Migliorini e Malik Pagnotti, este último campeão Freestyle Wave Open de 2025 aos 12 anos de idade.
- Por que o Rio Grande do Norte é procurado para esse tipo de competição? A região é conhecida pelos ventos alísios constantes ao longo de quase todo o ano, condição que sustenta uma economia local de escolas de esporte a vento, pousadas e eventos competitivos regulares.


















