O Mundial de Kitesurf Freestyle 2026 confirmou o Brasil como sua etapa decisiva pelo segundo ano consecutivo. Entre os dias 20 e 24 de outubro, a Ilha do Guajiru, em Itarema (CE), a cerca de 210 km de Fortaleza, recebe a final da categoria freestyle do GKA Kite World Tour, o circuito que reúne a elite mundial do kitesurf. O lançamento oficial do evento aconteceu em Fortaleza em 17 de setembro, com a presença do diretor da competição, Rafael Dourado, que resumiu o sentimento da organização ao falar do retorno do mundial ao estado: “é uma felicidade imensa confirmar o retorno do Mundial” ao Ceará.

Acompanho o calendário do GKA Kite World Tour há algumas temporadas, e a escolha repetida do litoral cearense não é acaso. A combinação de vento constante e águas calmas na Ilha do Guajiru é rara até para os padrões já elogiados do Nordeste brasileiro, e cria exatamente as condições que a modalidade freestyle exige: rajadas previsíveis para as manobras aéreas, mas sem a arrebentação que atrapalha pousos e decolagens. Em 2025, a final da categoria já havia sido disputada na Praia da Taíba, também no Ceará — o que faz deste outubro a segunda vez seguida que o estado concentra os olhos do circuito mundial.

Bruna Kajiya chega como favorita e tenta o quarto título seguido

Kitesurfista Fazendo Manobra Aérea, Representando O Mundial De Kitesurf Freestyle 2026 No Ceará
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A principal razão para acompanhar esta etapa é brasileira. Bruna Kajiya, paulista de 39 anos, lidera o ranking feminino do freestyle com 2.000 pontos e tenta manter, pela quarta temporada consecutiva, o topo da classificação mundial. A temporada 2026 já mostrou que a vantagem não é por acaso: Kajiya venceu a etapa de abertura do ano, em Nuevo Nayarit, no México (26 a 30 de maio), com dois scores dominantes logo nas primeiras baterias e manteve a liderança até o título, superando a espanhola Claudia León e a polonesa Martyna Konkel no pódio.

Chegar à etapa de casa como líder isolada muda o cálculo tático de qualquer atleta. Kajiya não precisa arriscar manobras de altíssimo grau de dificuldade para abrir vantagem — pode competir com a consistência que já a manteve no topo por quatro anos — mas corre o risco inverso: o de uma atleta que compete sob o peso da expectativa de uma torcida inteira, em casa, depois de três temporadas de domínio.

Davi Ribeiro e Pedro Alexandre levam o Ceará ao masculino

No ranking masculino, dois nomes cearenses aparecem entre os credenciados para a etapa. Davi Ribeiro ocupa a terceira posição geral, com 1.450 pontos, brigando diretamente pelo pódio diante do alemão Finn Flügel — atual campeão mundial masculino e também vencedor da etapa do México em 2026, com 32,37 pontos na bateria decisiva. Mais atrás no ranking, Pedro Alexandre, de apenas 16 anos e também cearense, ocupa a 15ª posição com 420 pontos: uma colocação que já o credencia como um dos nomes jovens a observar na modalidade nos próximos anos. A organização ainda prevê a possibilidade de outros brasileiros entrarem na chave por convite ou inscrição direta, o que é comum em etapas finais realizadas em casa.

Um circuito de quatro continentes que passa três vezes pelo Brasil em 2026

A etapa de Itarema é uma entre treze paradas do GKA Kite World Tour 2026, espalhadas por quatro continentes e por disciplinas diferentes do kitesurf — freestyle, big air, kite-surf tradicional, hydrofoil e categorias de base. A temporada abriu em Cabo Verde, em fevereiro, passou por Barcarès, na França (big air), seguiu para o México e a Alemanha (Borkum) em disputas de freestyle, chegou à Grécia e à Espanha em junho, teve etapas de categorias jovens e hydrofoil na Alemanha em agosto, e cruzou o Marrocos e Abu Dhabi em outubro antes de Itarema. O calendário não termina no Ceará: depois da etapa brasileira de freestyle, o circuito ainda retorna ao país em novembro, com duas etapas de kite-surf tradicional — primeiro em Ibiraquera (Santa Catarina), entre 5 e 13 de novembro, e depois de volta à Praia da Taíba, no Ceará, de 9 a 14 de novembro, no encerramento da temporada. Ou seja: o Brasil concentra três das treze paradas da temporada 2026, um indicativo de como o litoral brasileiro — sobretudo o cearense — se tornou peça fixa no calendário internacional do kitesurf.

Um mundial que chega poucos meses depois do Festival Preá

A final de Itarema reforça um movimento que já vinha se desenhando no Ceará: o de transformar o vento constante do litoral em infraestrutura permanente para o esporte. Em setembro, o Festival GKC Velas Preá já havia reunido atletas de kitesurf e wingfoil na mesma região, como parte de uma temporada de ventos que, segundo estimativas do setor, movimenta R$ 1,66 bilhão em turismo no estado — ainda que a regulamentação de segurança para a prática, discutida em projeto de lei na Assembleia Legislativa do Ceará, continue em tramitação. A diferença é de escala: enquanto o Preá é um festival regional com forte componente turístico, a etapa de Itarema é uma parada oficial do circuito mundial, disputada por profissionais ranqueados e com prêmio em dinheiro — segundo o Diário do Nordeste, de € 25 mil (cerca de R$ 140 mil) para a etapa.

Para quem acompanha o esporte a distância, a cena vale menos pela disputa isolada do que pelo que ela confirma: o Ceará deixou de ser apenas um destino turístico para o kitesurf e passou a ser, na prática, um dos poucos lugares do planeta com condições reconhecidas para decidir títulos mundiais de freestyle — e o calendário de 2026, com duas finais e uma parada extra de kite-surf tradicional concentradas no estado e em Santa Catarina, é a confirmação mais concreta disso até aqui.

Perguntas frequentes

  • Quando e onde é a final do Mundial de Kitesurf Freestyle 2026? Entre os dias 20 e 24 de outubro de 2026, na Ilha do Guajiru, em Itarema (CE), a cerca de 210 km de Fortaleza.
  • Quem é a favorita brasileira ao título? Bruna Kajiya, de 39 anos, líder do ranking feminino de freestyle com 2.000 pontos e tentando o quarto título mundial consecutivo.
  • Quais outros brasileiros disputam a etapa? Davi Ribeiro, 3º colocado no ranking masculino, e Pedro Alexandre, de 16 anos, na 15ª posição — ambos cearenses.
  • É a primeira vez que o Ceará recebe a final do circuito? Não. Em 2025, a final da categoria freestyle já havia sido disputada na Praia da Taíba, também no Ceará — 2026 marca a segunda edição seguida da final no estado.