Acompanho de perto o circuito mundial de kitesurf freestyle, e a etapa final de 2026, disputada entre os dias 21 e 24 de outubro na Ilha do Guajiru, em Itarema, no litoral oeste do Ceará, confirmou o que a temporada já apontava: Bruna Kajiya é, de novo, a melhor do mundo. No sábado (24), a atleta radicada em Ilhabela (SP) somou 28,19 pontos na bateria decisiva e fechou a disputa com o sétimo título mundial de freestyle da carreira, à frente da espanhola Claudia León (22,80 pontos) e da francesa Phoebe Rocher (21,57), segundo o Diário do Nordeste.
A final reuniu 38 atletas de 12 países ao longo de quatro dias de baterias, no formato padrão da GKA Freestyle Kite World Cup: manobras pontuadas por um corpo de jurados que avalia execução, dificuldade e originalidade em cada passagem sobre a água. Bruna chegou a Itarema na liderança isolada do ranking da temporada, depois de vencer as três etapas anteriores do circuito, disputadas na Alemanha, no México e no próprio Brasil, e encerrou 2026 com 3.000 pontos acumulados, bem acima da segunda colocada, León, que somou 2.610.
Erick Anderson avança com manobra inédita, mas fica fora do pódio
No masculino, o título ficou com o suíço Maxime Chabloz, que já havia garantido a liderança da temporada antes mesmo da etapa decisiva e confirmou a campanha com 30,04 pontos na final, superando o egípcio Karim Mahmoud (29,76) e o mexicano Anthar Racca (22,66). O cearense Erick Anderson, que treina nas mesmas condições de vento da Ilha do Guajiru desde criança, terminou em quarto lugar com 20 pontos, mas chamou atenção dos jurados ao executar uma manobra nunca registrada antes em competição, reconhecida na pontuação por critério de inovação.
Outros brasileiros também chegaram à etapa decisiva. Davi Ribeiro terminou a temporada na terceira posição do ranking masculino, com 1.870 pontos, e Pedro Alexandre, outro atleta cearense, fechou a semana em sétimo lugar, empatado com o japonês Hironobu Nakano. Carlos Mário Bebê, pentacampeão mundial que havia retornado ao circuito depois de mais de dois anos afastado, caiu ainda na fase de repescagem.
Da pré-temporada à Ilha do Guajiru: como chegamos até aqui
Já tinha comentado por aqui, quando o calendário da etapa decisiva foi divulgado, que a disputa pelo título feminino parecia praticamente resolvida antes mesmo da primeira bateria em Itarema: Bruna chegava ao Ceará como favorita isolada, como contei naquela ocasião, depois de vencer as duas primeiras etapas da temporada. O que ainda não estava garantido, àquela altura, era se ela manteria a invencibilidade até o fim do ano. Manteve, e com sobra de pontos no ranking final.
Transmissão ao vivo e organização local
A etapa decisiva foi organizada pela produtora Monte Dourado pelo segundo ano consecutivo, com transmissão ao vivo pela TV Diário e pelo canal Jogada no YouTube. A programação ficou sujeita à força e à direção do vento na Ilha do Guajiru ao longo dos quatro dias, o que é comum em competições de esportes a vela e costuma reorganizar o calendário de baterias de um dia para o outro. Mesmo com essa dependência das condições naturais, a etapa cumpriu o cronograma previsto e fechou no horário planejado para o sábado.
O Ceará já concentra boa parte do calendário brasileiro de esportes a vento ao longo do ano, com etapas de kitesurf e wingfoil distribuídas entre Fortaleza, Cumbuco, Taíba e a própria Itarema, aproveitando os ventos alísios que sopram praticamente sem interrupção entre o segundo semestre e o início do ano seguinte. É esse regime de vento, mais do que a infraestrutura turística por si só, que explica por que o circuito mundial de freestyle escolheu o estado para encerrar a temporada por dois anos seguidos.
Itarema repete a final e mira novo recorde de movimento econômico
Esta foi a segunda vez consecutiva que o Ceará recebeu a etapa final do circuito mundial de kitesurf freestyle: em 2025, a disputa decisiva aconteceu na praia da Taíba, em São Gonçalo do Amarante; em 2026, a organização optou pela Ilha do Guajiru, que oferece vento constante e água achatada, condições consideradas ideais para manobras de freestyle. Os organizadores projetavam reunir cerca de 15 mil pessoas entre atletas, equipes, imprensa e turistas ao longo dos quatro dias de evento, segundo o diretor da competição, Rafael Dourado.
O cálculo da própria organização é que o kitesurfe tenha movimentado cerca de R$ 210 milhões na economia do Ceará em 2025, somando hospedagem, alimentação, transporte e geração de empregos ligados ao esporte. A meta para 2026 era superar essa marca, e parte da estratégia está num detalhe específico do calendário: boa parte dos competidores internacionais chega ao litoral cearense semanas antes da disputa para se adaptar às condições locais de vento, o que estende o período de gasto na região e beneficia hotéis, restaurantes e fornecedores de Itarema, cidade de cerca de 45 mil habitantes a pouco mais de três horas de carro de Fortaleza.
Perguntas frequentes
Quantos títulos mundiais de freestyle Bruna Kajiya já conquistou?
Sete, depois do resultado da etapa decisiva de 2026, disputada em Itarema, no Ceará.
Onde foi disputada a final do Mundial de Kitesurf Freestyle 2026?
Na Ilha do Guajiru, em Itarema, no litoral oeste do Ceará, entre os dias 21 e 24 de outubro.
Quem venceu a final masculina?
O suíço Maxime Chabloz, que já tinha garantido o título da temporada antes da etapa decisiva e fechou a final com 30,04 pontos.
Quantos atletas e países participaram da etapa final?
Trinta e oito atletas de 12 países disputaram as baterias ao longo dos quatro dias de competição.


















