Acompanho com atenção os preparativos da Marinha do Brasil para a Aramuss 2026, a segunda edição do evento que reúne Forças Armadas, universidades e empresas de tecnologia para testar sistemas marítimos não tripulados. O encontro ocorre de 9 a 13 de novembro, na Base Naval de Aratu, em Salvador (BA), e promete repetir o sucesso da primeira edição, que recebeu mais de dois mil visitantes em cinco dias.
O nome é a sigla de Aratu Maritime Unmanned Systems Simulation, e o evento é organizado pelo Comando do 2º Distrito Naval. A proposta central é simples de entender e difícil de executar: colocar lado a lado veículos de superfície, submarinos autônomos e equipes de pesquisa para demonstrar, em condições reais, o que a robótica marítima já consegue fazer pela defesa e pela economia do mar.
quem participa da Aramuss 2026
Pelo lado militar, a organização conta com o Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM) e o Centro de Análise de Sistemas Navais (Casnav), responsáveis por boa parte do desenvolvimento tecnológico interno da Força. Do lado acadêmico, confirmaram presença oito instituições: a Poli-USP, o Senai Cimatec, a UFBA, a UnB, a Uneb, a UFPB, o Instituto Federal Baiano e a portuguesa FEUP, da Universidade do Porto, numa participação que dá à Aramuss um caráter internacional discreto, mas real.
A lista de empresas também chama atenção pela diversidade: Fugro, Tidewise, Sonardyne, VideoRay, Nortek, USSV, Atech, Tethys Robotics, Deeplynx Solutions, ClipperShip Brasil, Tech Geo e Belov Engenharia. São companhias que atuam em sonar, robótica subaquática, monitoramento oceânico e integração de sistemas, um recorte que mostra onde o mercado de tecnologia marítima brasileiro está apostando suas fichas.
o que será demonstrado em Aratu
Nas fotos da edição de 2025, aparecem embarcações como a VSNT, um veículo autônomo subaquático (AUV) e o catamarã WAM-V, que usa dois cascos articulados para manter estabilidade mesmo em mar agitado. A programação da segunda edição deve seguir o mesmo formato: estandes com demonstrações estáticas, testes na água e, no último dia, operações embarcadas a bordo de navios do 2º Distrito Naval.
As aplicações descritas pela organização vão de vigilância e reconhecimento costeiro a inspeção de estruturas offshore, guerra de minas e proteção de infraestruturas críticas, como cabos submarinos e plataformas de petróleo. É um espectro de uso que mistura defesa e economia civil sem disfarce, e a própria Marinha chama isso de tecnologia de emprego dual: a mesma plataforma que varre o fundo do mar à procura de uma mina pode, em outro contexto, mapear um duto ou inspecionar o casco de uma plataforma.
A programação inclui ainda o Simpósio sobre Sistemas Não Tripulados, nos dias 9 e 10 de novembro, e uma série de painéis batizada de Aramuss Talks, pensada para aproximar pesquisadores, militares e empresas que normalmente trabalham em bolhas separadas.
por que a Marinha investe em sistemas não tripulados
Baía de Todos os Santos, Base Naval de Aratu e Salvador não foram escolhas aleatórias. A região concentra operações do 2º Distrito Naval e fica perto de rotas que a Marinha já monitora de olho em plataformas de petróleo, tráfego comercial e segurança da chamada Amazônia Azul, a extensa área marítima sob jurisdição brasileira. Um veículo não tripulado reduz o risco de expor tripulações em missões repetitivas ou perigosas, como varredura de minas ou inspeção de áreas contaminadas, e pode operar por períodos mais longos do que uma equipe embarcada.
Essa aposta em robótica marítima acompanha um movimento mais amplo da Marinha em renovar sua base tecnológica, visível também em outros projetos recentes da Força. No submarino nuclear Álvaro Alberto, por exemplo, o desafio é dominar uma tecnologia de propulsão que só meia dúzia de países no mundo possui. Na Aramuss, o desafio é outro: amadurecer rápido o suficiente para não ficar atrás de marinhas estrangeiras que já usam drones navais em operações rotineiras, sem o custo e a complexidade de um programa nuclear.
Vale lembrar que a primeira edição, em 2025, já havia sido descrita pela própria Marinha como um evento pioneiro no país sobre tecnologia marítima não tripulada, e a repetição em 2026 sinaliza que o tema entrou no calendário fixo da Força, não ficou restrito a uma experiência isolada.
o que esperar dos próximos dias de testes
Ainda não há, até a publicação deste texto, uma lista oficial de quais sistemas específicos serão testados a bordo dos navios no dia 13 de novembro, nem confirmação pública de quais embarcações do 2º Distrito Naval vão participar das demonstrações embarcadas. É um detalhe que normalmente só a própria Marinha divulga perto da data, e prefiro não arriscar um nome específico sem confirmação.
O que já está claro é o tamanho do esforço de coordenação: juntar doze empresas, oito instituições de ensino e pelo menos dois órgãos de pesquisa da própria Marinha numa só semana, em uma base naval ativa, exige um nível de planejamento logístico que poucos eventos do setor náutico brasileiro conseguem reunir. Para quem acompanha o avanço da robótica marítima no Brasil, a Aramuss 2026 é um dos poucos termômetros concretos de quanto essa tecnologia já saiu do papel.
perguntas frequentes
Quando e onde ocorre a Aramuss 2026?
De 9 a 13 de novembro de 2026, na Base Naval de Aratu, em Salvador (BA), com demonstrações embarcadas em navios do 2º Distrito Naval no último dia.
O que significa a sigla Aramuss?
Aratu Maritime Unmanned Systems Simulation, numa referência direta ao local do evento e ao foco em sistemas marítimos não tripulados.
Quem organiza o evento?
A Marinha do Brasil, por meio do Comando do 2º Distrito Naval, com apoio do Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM) e do Centro de Análise de Sistemas Navais (Casnav).
Para que servem os sistemas marítimos não tripulados mostrados na Aramuss?
As aplicações citadas pela organização incluem vigilância costeira, inspeção de estruturas offshore, guerra de minas e proteção de infraestruturas críticas, como cabos submarinos.




















