Acompanho com atenção os exercícios navais multinacionais que a Marinha do Brasil integra ao longo do ano, e o Solidarex 2026 chamou minha atenção justamente pela escala da cooperação envolvida. Entre os dias 21 e 23 de outubro, sete países treinam juntos em Manta, no Equador, um cenário de resposta a um terremoto de grande magnitude na costa equatoriana, com o Brasil entre os participantes.

Navios E Equipes Navais Durante Exercício Multinacional Solidarex 2026 Em Manta, Equador

O que é o Solidarex 2026

O Solidarex é um exercício naval multinacional organizado pela Marinha do Equador, com foco em busca e salvamento, evacuação médica, desembarques e distribuição de ajuda humanitária após um desastre simulado. A edição de 2026, batizada de Solidarex V, reúne Brasil, Equador, Chile, Peru, Colômbia, Estados Unidos e República Dominicana, segundo reportagem da Revista Sociedade Militar e do jornal equatoriano El Universo.

O cenário escolhido para este ano é um terremoto de grande magnitude no litoral equatoriano, com danos simulados a portos, estradas e serviços essenciais. A programação começa no dia 21 de outubro com um treinamento de busca e salvamento urbano em um prédio abandonado, segue no dia 22 com o ensaio das manobras principais e termina no dia 23 com desembarques, atendimento médico e transporte de feridos na praia de El Murciélago e nas áreas marítimas de Manta.

Por que Manta foi escolhida

A escolha de Manta não é aleatória. A cidade foi uma das mais afetadas pelo terremoto de 16 de abril de 2016, de magnitude 7,8, que deixou 671 mortos em todo o Equador. A prefeita Marciana Valdivieso lembrou o episódio ao comentar o exercício, relembrando a ajuda internacional recebida na época. Já o capitão de navio Julio Veintimilla Salazar, do Estado-Maior Conjunto equatoriano, resumiu a lógica do treinamento ao dizer que não é possível esperar uma emergência real acontecer para aprender a trabalhar em conjunto.

Segundo o capitão de fragata Juan Carlos Vascones, o Solidarex nasceu em 2019 por iniciativa da Marinha de Guerra do Peru, com o objetivo de aproximar procedimentos entre as marinhas da região. A edição deste ano é a quinta da série, o que confirma uma frequência quase anual desde a criação do formato.

Números do exercício e o papel do Brasil

As fontes consultadas falam em cerca de 600 militares envolvidos no total, somando os sete países. No lado naval, o Equador contribui com seis embarcações, enquanto Peru e Colômbia enviam uma cada. Até a publicação das reportagens que embasam este texto, o número de militares, navios e aeronaves que o Brasil está enviando a Manta não havia sido divulgado oficialmente.

Há uma diferença interessante entre as fontes quanto ao papel do Chile: a Infodefensa descreve a participação chilena como a de observadora, enquanto outras reportagens listam o país entre os sete participantes plenos do exercício, sem a ressalva. Vale registrar essa divergência em vez de tratar um único ângulo como certeza.

Na edição anterior, realizada no Peru em 2024, o Brasil enviou a fragata Liberal (F43), um helicóptero Super Lynx AH-11B e militares de operações especiais, segundo a Revista Sociedade Militar. Se o padrão se repetir, é razoável esperar uma composição parecida para 2026, embora isso ainda dependa de confirmação oficial da Marinha.

Um ano cheio de exercícios conjuntos para a Marinha

O Solidarex 2026 chega poucos meses depois de a Marinha do Brasil participar da Southern Seas 2026, quando o submarino Humaitá e a fragata Defensora navegaram ao lado do porta-aviões nuclear norte-americano USS Nimitz no Atlântico, em treinamentos de escolta, caça a submarinos e defesa antiaérea. Também em novembro, a Base Naval de Aratu, em Salvador, recebe a segunda edição da Aramuss, voltada a sistemas não tripulados de superfície e subaquáticos, como contei em um post anterior sobre o evento.

São exercícios de natureza distinta, um focado em resposta a catástrofes humanitárias, outro em interoperabilidade com uma marinha de porte global, outro ainda em tecnologia de sistemas autônomos, mas que juntos desenham um calendário de cooperação internacional mais movimentado do que o habitual para a Marinha do Brasil neste ano. Esse tipo de engajamento tende a pesar na doutrina e no treinamento de pessoal mesmo quando não resulta em aquisição de equipamento novo, porque expõe tripulações brasileiras a procedimentos padronizados com marinhas de diferentes tradições operacionais.

O que observar nos próximos dias

Com o exercício concentrado entre 21 e 23 de outubro, a maior parte das atividades de campo já deve estar em curso ou perto do fim quando este texto for publicado. O ponto a acompanhar agora é se a Marinha do Brasil vai divulgar, em nota própria, os meios navais e o efetivo que de fato enviou a Manta, algo que nenhuma das reportagens consultadas até aqui conseguiu confirmar. Também vale observar se o Solidarex V produzirá algum relatório conjunto ou lição aprendida formal, como costuma ocorrer em exercícios multinacionais desse tipo, e se o Chile manterá nas próximas edições o mesmo status que teve em 2026.

Perguntas frequentes sobre o Solidarex 2026

  • O que é o Solidarex 2026? É um exercício naval multinacional organizado pela Marinha do Equador, em Manta, entre 21 e 23 de outubro de 2026, que simula a resposta militar a um terremoto de grande magnitude no litoral equatoriano.
  • Quais países participam do Solidarex 2026? Brasil, Equador, Chile, Peru, Colômbia, Estados Unidos e República Dominicana, em um exercício que mobiliza cerca de 600 militares no total.
  • Desde quando existe o Solidarex? A série começou em 2019, por iniciativa da Marinha de Guerra do Peru, e a edição de 2026 é a quinta realizada até aqui.
  • Qual foi a participação do Brasil na edição de 2024? Segundo a Revista Sociedade Militar, o Brasil enviou a fragata Liberal (F43), um helicóptero Super Lynx AH-11B e militares de operações especiais ao Peru, sede daquela edição.